
Houve um tempo em que tudo era mais fácil.
Esse tempo passou.
Esse tempo acabou.
E, em muitos sentidos, fiquei parado no tempo.
E, em certo sentido, fico a esperar o tempo que não vai voltar.
Mas isso somente diz de um recorte de tempo.
Sobre o tempo de vida de um certo tempo.
É o nosso tempo com pessoas, lugares, situações...
Esse foi o tempo que findou, ruiu, esfumaçou.
Porque o verdadeiro tempo é mais amplo.
É o tempo que, para cada um de nós, não para.
Os grãos continuam a escoar pelo gargalo fino da ampulheta.
Afinal, a areia não pode parar de escorrer.
Chegará o momento em que será necessário (des)virar a ampulheta de ponta-cabeça (ou de cabeça pra ponta?).
E isso fará com que o tempo volte?
Não.
Ele continuará passando...
E, ainda que os grãos de areia sejam os mesmos e a ampulheta, também, nem tudo estará mais como antes.
E então chega um novo tempo.
Um novo tempo que também não para.
Segundo a segundo.
Minuto a minuto.
Hora a hora.
Dia. Semana. Mês. Ano. Década.
A século dificilmente alguém chegará.
Milênio? Jamais alcançará!
Chega o dia que a ampulheta quebra.
E a areia de cada ser em si deixa de escorrer.
E esse é sim o fim do tempo.
O fim do seu tempo.
E a areia vira pó.
Pó.
Só.
"Se eu ousar catar na superfície de qualquer manhã as palavras de um livro sem final! (...) Valeu a pena! Sou pescador de ilusões" (O Rappa)
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